As zoonoses são definidas como doenças ou infecções naturalmente
transmissíveis entre os animais vertebrados e o homem ou vice versa, estão
distribuídas por todo o globo em níveis de ocorrência variáveis de acordo com
fatores ambientais de natureza físico-química-biológica e inclusive
sócio-econômico-culturais. Os animais vertebrados que albergam os agentes
etiológicos das zoonoses são: os animais silvestres, os animais domésticos
(produção, trabalho e companhia) bem
como os animais sinantrópicos, que são o principal alvo das ações de controle
destinadas ao bloqueio do aparecimento de casos de zoonoses em seres humanos.
A Saúde Pública
Veterinária é a área do conhecimento que tem por objetivo a racionalização das
ações destinadas ao:
1)
controle
das zoonoses;
2)
controle
das doenças humanas veiculadas pelos alimentos de origem animal;
3)
controle da
poluição ambiental de origem animal;
4)
emprego de
modelos animais para o estudo de doenças que acometem os seres humanos (STEELE,
1979).
A despeito de nos
últimos anos ter ocorrido um grande avanço no controle das doenças
transmissíveis humanas de hospedeiro único, decorrente do desenvolvimento e
aprimoramento de ações terapêuticas ou imunoprofiláticas, as zoonoses continuam
a ser um grande desafio pois os hospedeiros animais ampliam as possibilidades
de persistência dos agentes infecciosos ou parasitários no ecossistema. Quando um país importa animais que
não fazem parte da sua fauna natural devem ser considerados alguns riscos:
1)
possibilidade
da introdução de novas doenças transmissíveis,
2)
possibilidade
da introdução de novos reservatórios para os agentes etiológicos de doenças
pré-existentes,
3)
a
possibilidade da criação de um desequilíbrio ambiental com interferência sobre
a fauna local.
Destaque-se que o
papel dos animais vertebrados como fontes de infecção e portanto reservatórios
de agentes de doenças transmissíveis para os seres humanos, inclui pelo menos
duas condições: doentes e portadores. Se os doentes desempenham um papel
limitado, devido as restrições que a própria situação clínica provoca, os
portadores encerram uma importância epidemiológica muito grande pois aparentam
perfeito estado de saúde e não suscitam cuidados daqueles que são responsáveis
pela sua manutenção e movimentação.
As três
modalidades de portadores conhecidas são a de incubação, convalescentes e
sadios. Essas modalidades induzem ao emprego de medidas profiláticas próprias,
que incluem procedimentos de quarentena e vigilância epidemiológica apoiados em
recursos diagnósticos sensíveis e específicos.
Os animais
exóticos têm sido introduzidos em áreas geográficas específicas com finalidades
distintas: produção de alimentos (javali, avestruz), modelo biológico para
investigações científicas (hamster, gerbil, primatas), educação e conservação
(Zoológicos e similares), participação em feiras ou exposições, atividades de
lazer (circos), esportivas (competições) e inclusive como animais de companhia.
De todas estas possibilidades o animal de companhia é o que estabelece o
grau máximo de proximidade com os seres humanos e com isto cria o maior risco
para a introdução de zoonoses no próprio domicílio. Dentre os animais de
companhia, considerados como exóticos,
que nos últimos anos têm apresentado uma expansão crescente em todo o
mundo são referidos os répteis (tartarugas, iguanas e cobras), as aves
(psitacídeos) e o furão ou ferret.
Do exposto, depreende-se
que, a importação de animais exóticos para diferentes finalidades envolve
sempre um risco da importação de agentes etiológicos de zoonoses, cujas
conseqüências podem variar na dependência dos fatores climáticos e
sócio-econômico culturais do País importador. A prevenção e o controle dos
problemas decorrentes destas práticas apoia-se no estabelecimento de
legislações específicas centradas na comprovação das condições de manejo e
saúde dos centros exportadores, quarentena, vigilância epidemiológica
permanente e educação dos importadores quanto aos riscos existentes e as
condutas específicas destinadas ao bloqueio
da cadeia de transmissão das zoonoses.
As principais zoonoses
veiculados por animais silvestres descritas até hoje foram: Campylobacter sp, Aeromonas sp, Enterobacter
sp, Klebsiella sp, Proteus sp, Mycobacterium sp e Salmonella
sp.
Entre as zoonoses citadas a
cima uma das mais importantes e mais comum é a salmonella que é uma bactéria
usualmente encontrada no trato intestinal de animais domésticos e selvagens,
especialmente das aves e dos répteis. Nos animais, o estado de portador é
comum. Inúmeros sorotipos de Salmonella são patogênicos para os animais e o
homem. Em muitos países em que há vigilância de Salmonella, a Salmonella
typhimurium e a Salmonella Enteritidis são as mais freqüentemente
identificadas.
As pessoas que se infectam
com Salmonella podem apresentar uma doença chamada salmonelose, vindo a
manifestar alguns dos seguintes sinais e sintomas: mal estar, cefaléia,
anorexia, febre, cólica, vômito/náusea, diarréia e desidratação. O período de
incubação mínimo é de 6 horas e o período de incubação máximo é de 72 horas,
sendo que, na maioria dos casos, o período de incubação varia entre 12 e 48
horas. A doença clinicamente manifestada, em pessoas até então saudáveis,
costuma ser auto limitada e durar de 4 a 7 dias, porém o indivíduo pode
continuar eliminando os microrganismos através das fezes em período posterior à
cura clínica. A administração de antibióticos pode aumentar o tempo de excreção
fecal dos microrganismos. O estado de portador é raro no homem.
As pessoas podem expor-se à Salmonella de várias maneiras, porém
a mais comumente documentada á através da ingestão de alimentos de origem
animal (carne, frango, leite ou ovo) contaminados com esta bactéria e ingeridos
crus ou insuficientemente cozidos. Eventualmente outros alimentos que estiverem
em contato com a água contaminada, tais como moluscos bivalvos e verduras,
também podem ser contaminados. Assim, a salmonelose está classificada como uma
enfermidade transmitida por alimentos (ETA). Tais relatos tem divulgado aumento
no número de surtos-epidêmicos causados por um tipo específico de Salmonella, a
Salmonella Enteritidis.
O tratamnento em geral a
salmonelose é autolimitada. O tratamento é sintomático com reposição hídrica e
de eletrólitos, utilizando antitérmicos e antieméticos. Pacientes com
desidratação grave devem receber hidratação intravenosa. Os inibidores do
peristaltismo podem favorecer a invasão bacteriana sendo contra-indicados.
O uso de antibióticos não abrevia a doença e pode aumentar o
período de excreção da salmonela. Os antibióticos são recomendados para
pacientes menores de três meses, idosos, pacientes com doenças de bases e/ou
imunodeficientes.